O Ovo da Maçã 21:11

Momentos houve em que cheguei a sentir os dedos fortes do ar a
apertar a minha ventilação. Sentia-me inerte. Hirto. Contrariando o
destino, os alicerces das minhas veias conseguiram suportar esse
estrangular.
Pouco a pouco, muito lentamente, foram-se soltando os dedos que
me sufocavam. Abri a porta ao momento. Senti o calor que me
invadia de novo e fazia o meu sangue ranger e correr nas minhas
veias.
Acordei. Olhei para o calendário. Eram 21:11. Com o corpo entorpecido,
percorria-me uma sensação extasiada de ter voltado a sair do ventre da
mulher que me pariu.




















